Jair Bolsonaro era um deputado muito secundário na política
nacional, com um nicho de seguidores de extrema direita que aplaudia seus
discursos de ódio. Com a crise de representatividade dos partidos tradicionais,
vinculados aos imensos escândalos de corrupção e às prisões da operação
Lava-Jato, essa figura nojenta se alçou ao patamar de “salvador da pátria” para
pessoas desiludidas com a política tradicional.
Mas o que é Bolsonaro e como devemos combatê-lo?
A saída
pela direita para uma crise nacional não é uma novidade inventada por ele.
Figuras como Hitler ou Pinochet trilharam passos semelhantes, se aproveitando
de um descontentamento de massas com a crise e a miséria causadas pelo
capitalismo para pregar uma demagogia com uma demagogia populista que a solução
para acabar com os males criados por essa sociedade era um regime militarista
de supressão radical aos direitos democráticos de qualquer tipo e a destruição
das organizações dos trabalhadores que causavam “desordem”.
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Suas
opiniões impressionam por tamanho machismo.
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Há cenas do passado recente que deixam claros os valores de
Bolsonaro e de seus filhos, seguidores de sua política: o mais emblemático é
provavelmente sua homenagem a Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos maiores
torturadores da ditadura militar, ao proferir seu voto favorável ao golpe
parlamentar do impeachment que colocou Michel Temer na presidência. Seus
seguidores exaltados com a solução da “mão de ferro” para acabar com a esquerda
no país, ao ver essa cena, provavelmente não se lembravam de que ainda ontem
Bolsonaro era parte da base aliada do governo Dilma, compondo com seu antigo
partido, o PP, e depois com seu atual, o PSC, a sustentação de direita que
depois tomou a frente do golpe. No Rio, onde começou sua carreira política
sempre foi aliado do hiper-corrupto Sérgio Cabral, hoje preso pela operação
Lava Jato.
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Ustra, torturador homenageado por Bolsonaro
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Bolsonaro,
como todo político capitalista, é antes de tudo um carreirista e demagogo
defendendo seus interesses particulares. Fala contra os “políticos corruptos”,
mas recebe um salário de mais de 33 mil reais por mês, com verbas de gabinete e
“auxílios” que chegam a mais de 130 mil reais por mês. Ele aparece na lista de
Furnas como relatado por ter recebido caixa 2 de 50 mil reais para campanha
eleitoral em 2002 como publicado neste site.
Participou, em 1987, da "operação beco sem saída" que
planejava explodir bombas no quartel dos agulhar negras. Falou contra a PEC do
teto de gastos, gravando um vídeo exaltado criticando Temer, mas depois teve
uma “conversa particular” com o governo – na qual se sabe lá o que foi
prometido a ele “por fora” – e em seguida gravou um novo vídeo dizendo a seus
seguidores que havia percebido que a PEC na verdade era para o bem do país.
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Bolsonaro discursa contra direitos dos homossexuais na
Câmara
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A
defesa dos ideais de Bolsonaro é “na porrada”, e ele incitas as formas mais
deploráveis de violência reacionária, como na suas menções públicas ao estupro
em diversos episódios, entre os quais o famigerado em que disse a Maria do
Rosário que não a estupraria porque ela “não merecia”; ou
ainda nos momentos em que disse que se tivesse um filho homossexual que curaria
ele “na porrada”, sendo assim um incentivador de episódios como o que
aconteceu, em que uma mãe assassinou
seu filho por ele ser homossexual.
Bolsonaro
tem crescido em popularidade entre desavisados que veem em sua demagogia
populista um contraponto à política imunda e corrupta do regime tradicional
brasileiro. É um imenso engano, não apenas porque Bolsonaro é mais um desses
representantes dessa política que beneficia apenas os capitalistas – com uma
roupagem de extrema-direita ao invés de liberal, ou seja, com menos direitos
para os de baixo e muita repressão e bala para calar qualquer protesto – mas
também porque ele não irá solucionar absolutamente nenhum dos problemas que
vivemos hoje: da corrupção à precarização dos serviços públicos; das revoltas
nos presídios superlotados ao desemprego, todos esses problemas fazem parte da
estrutura do sistema capitalista, e não podem ser respondidos por Bolsonaro,
que pretende resolvê-los “na porrada”.
Bolsonaro
quer ser um Trump brasileiro, em que, frente à alternativa completamente
estéril do partido democrata de Hillary Clinton, com uma política imperialista
e de direita, muitos viram em um discurso xenófobo e populista uma
"resposta radical" (ilusória) para seus problemas. A falta de emprego
nos EUA não é causada pelos imigrantes latinos, assim como no Brasil a violência,
a miséria e o desemprego não foram criados pelos movimentos sociais (muito pelo
contrário) nem serão extintos com Bolsonaro. O esquema de corrupção do
mensalão, da Petrobras, da Odebrecht são pilares da política capitalista, que
atingem o espectro da política patronal de grandes siglas, e incluindo seus
colegas de partido, certamente.
Para
derrotar essa direita asquerosa, é preciso de uma saída radical à esquerda, que
mostre que é necessário sim acabar com esse parlamento corrupto, esse regime de
privilégios dos políticos, por isso defendo como parte de um programa que leve
a superar o capitalismo que todo político ganhe como uma professora. Isso não
poderá ser feito com as baionetas de militares e torturadores, mas sim com a
força dos trabalhadores organizados, com a aliança das mulheres, negros,
LGBTI+, acabando com o lucro de um punhado de capitalistas que tiram o dinheiro
dos serviços públicos e nos levam ao desemprego. Extinguindo o pagamento da
dívida pública, que leva metade do orçamento do Brasil e contra a qual
Bolsonaro nunca disse uma palavra.
B A S T A D E B O L S O N A R O S !




